domingo, 30 de setembro de 2012

Cada vez mais presentes no mercado de trabalho, idosos chefiam 25% dos lares no Estado do Rio



Maior participação mostra principalmente que eles estão em melhores condições de saúde.


A professora de artes Elisabeth Correa, de 77 anos, é cercada por seus alunos num colégio em Botafogo
Foto: Simone Marinho
A professora de artes Elisabeth Correa, de 77 anos, é cercada por seus alunos num colégio em BotafogoSIMONE MARINHO
RIO - “Posso realizar desejos bastante bons de viagens e ajudar minhas filhas quando elas precisam”. A explicação da professora de educação artística Elisabeth Correa, moradora de Botafogo, para o fato de continuar trabalhando aos 77 anos é parte da realidade de outros 432 mil idosos da Região Metropolitana do Rio, a mais envelhecida do país. Eles são a parcela de idosos economicamente ativos da região, representando 36% do total de pessoas com mais de 60 anos, segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, realizada em 2011. De 2001 até o ano passado, esse grupo cresceu 78,5%, dando mais peso à participação dos idosos na economia metropolitana.

O GLOBO começa neste domingo, véspera do Dia Nacional do Idoso, a publicar uma série de reportagens sobre o grupo que deu ao estado fluminense a condição de segundo mais velho do Brasil no Censo 2010, com 13% de sua população sendo formada por idosos, perdendo apenas para o Rio Grande do Sul, com 13,6%. Foi nesse estado do Sul do país que nasceu a professora Elisabeth, moradora do Rio desde 1967. Além de dar aulas duas vezes por semana no Colégio Santa Rosa de Lima, em Botafogo, Elisabeth ministra um curso de pintura em seu ateliê três dias por semana. A renda das aulas complementa a aposentadoria recebida do município. E o trabalho é recompensado com viagens frequentes: quase todo fim de semana ela vai com o marido para Itaipuaçu, onde o casal tem uma casa. No ano passado, visitaram Brasília e fizeram um tour pelo Rio Grande do Sul. Em 2009, viajaram por dois meses pela Europa.No mesmo período, a população acima de 60 anos em todo o Estado do Rio que continua no mercado de trabalho — empregada ou à procura de uma vaga — cresceu 58%. O resultado de tanta labuta? Cerca de um quarto dos responsáveis por domicílios, seja no estado (24,6%), na Região Metropolitana (24,9%) ou na cidade do Rio (27%), é de idosos, de acordo com o Censo 2010. No Brasil todo, as pessoas com mais de 60 anos respondem por 21,9% dos domicílios.
— Com esse ganho extra, fico mais folgada para satisfazer meus desejos. Este ano, pudemos reformar a nossa casa em Itaipuaçu — conta ela.
Mais saúde, mais tempo de trabalho
A primeira explicação para a maior participação do idoso na economia é o próprio envelhecimento da população, segundo a economista e demógrafa Ana Amélia Camarano, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O crescimento do número de idosos ativos no estado (58%) e na Região Metropolitana do Rio (78,5%) entre 2001 e 2011, no entanto, superou o aumento da população de idosos em geral no mesmo período: no estado, o grupo cresceu 41,1% e na Região Metropolitana, 41,3%. Para Ana Amélia, a maior participação deles no mercado de trabalho mostra principalmente que eles estão em melhores condições de saúde. A participação deles também tem sido estimulada por um boom na demanda por mão de obra.
— A gente dizia que quem perdia emprego depois dos 50 anos passava dificuldade por causa do preconceito contra o trabalho dos mais velhos. Agora vemos uma reversão disso, por conta de um apagão de mão de obra, como no ramo da engenharia. Outra questão é que, com as menores taxas de fecundidade, há menos jovens no mercado. Uma das soluções é manter os trabalhadores mais tempo na ativa. Para isso, é preciso capacitar os idosos para lidarem com as mudanças tecnológicas — afirma a especialista em envelhecimento. — A grande proporção de idosos como chefes da casa mostra que há um agrupamento familiar em torno deles. A renda desses idosos é muito importante no orçamento. Isso tem a ver com a falta de rendimento dos filhos adultos.
No Estado do Rio, 69,5% da renda dos domicílios dependem do que é ganho pelos idosos, segundo a Pnad 2011. No Brasil, esse percentual é 64,5%.
Aos 86 anos, o morador de Copacabana José Ricardo dá aulas de inglês, usando música, para alunos com mais de 60 anos, de segunda a sexta-feira. E não tem planos de parar. Casado e pai de três filhos, ele explica que, por ter morado muito tempo fora do Brasil, a aposentadoria não é suficiente — permite pagar apenas condomínio, luz, gás e telefone. José diz que ensinar é, para ele, como um remédio.
— Com o trabalho, me mantenho entusiasmado. Acho fundamental para envelhecer bem — afirma.
Para Ana Amélia, uma grande vantagem do trabalho nessa fase é a possibilidade de integração social. Ela lembra que o encerramento da carreira leva, muitas vezes, à depressão:
— Quando param de trabalhar, os homens ficam mais perdidos que as mulheres, que têm mais facilidade de se integrar, fazendo viagens, saindo e cuidando da família.
A moradora de Botafogo Geísa Guerra Mourão, de 72 anos, viúva há dez, sabia exatamente o que faria quando se aposentasse. Em 1998, ela passou a produzir artesanato, que já chegou a representar 70% do seu orçamento. Hoje, depois de reduzir a atividade extra, o artesanato gera 20% dos seus rendimentos. Esse dinheiro é usado no lazer. E, para divulgar as peças que vende, Geísa usa o Facebook. Morando com um filho, ela é a responsável pelas contas da casa:
— Sempre fui muito independente e agora não está sendo diferente.
A Federação do Comércio do Rio (Fecomércio-RJ) fez uma pesquisa, entre os dias 12 e 14 deste mês, no município do Rio, com 364 pessoas com mais de 55 anos, para traçar o perfil desses consumidores. Eles gastam 50% da renda com alimentação, 22,1% com remédios, 11,7% com aluguel e 8% com plano de saúde.
— É uma população que está se alimentando melhor, vivendo mais, cuidando mais da saúde e trabalhando mais. Para o comércio, é um grupo com alto poder aquisitivo, que começa a ter atendimentos especializados — avalia o economista Christian Travassos, da Fecomércio-RJ.
Já o presidente da Associação Brasileira de Indústria de Hotéis (ABIH-RJ), Alfredo Lopes, estima que o público da terceira idade que deixa a capital para se hospedar no interior represente 20% do total de clientes nos dias úteis. Um movimento que dobrou nos últimos cinco anos.

O fantasma por trás da barriga




Risco de impotência e perda de desejo sexual aumenta junto com a circunferência abdominal.


Risco de impotência aumenta em homens com mais de 94 centímetros de circunferência abdominal, principalmente depois dos 40 anos
Foto: Jorge William
Risco de impotência aumenta em homens com mais de 94 centímetros de circunferência abdominal, principalmente depois dos 40 anosJORGE WILLIAM
SÃO PAULO - O homem brasileiro está barrigudo, sedentário, acima do peso e, além de tudo, desatento. A maioria não sabe que a famosa barriga de chope pode trazer uma consequência para lá de infeliz: a falta de ereção. Uma pesquisa comportamental feita com cinco mil homens pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) faz um raio-X da saúde masculina e mostra que 51% estão acima ou muito acima do peso, 64% nunca realizaram um exame para medir os níveis de testosterona, 38% não costumam ir ao médico com frequência, 23% relacionam a obesidade ao envelhecimento. E 37% admitem o uso de remédio para ereção — no Rio este percentual chega a 60%
— Uma das principais partes do organismo afetadas pela obesidade é a hipófise, o que acarreta uma menor produção de hormônios que estimulam os testículos a produzirem a testosterona — detalha Salles.O risco de impotência aumenta em homens com mais de 94 centímetros de circunferência abdominal, principalmente depois dos 40 anos. Essa gordura chamada visceral gera estrogênio, cortisol e leptina, substâncias que diminuem a produção de testosterona, um dos principais combustíveis sexuais masculinos. Segundo o endocrinologista João Eduardo Salles, professor da Santa Casa de São Paulo, 40% dos obesos têm baixos níveis de testosterona no corpo.
O hormônio em baixa dosagem causa alteração de humor, problemas de ereção e sonolência, aumenta a gordura abdominal e diminui a libido, explica o urologista Archimedes Nardozza Junior, diretor do Núcleo de Pesquisa da SBU e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
— Os homens só batem na porta do médico quando ocorrem problemas na próstata e de questão sexual, muitas vezes levados pelas mulheres. A maioria desconhece a ação da testosterona, que começa a diminuir a partir dos 40 anos, de forma lenta e gradativa, mas com grande impacto no organismo — afirma Nardozza Júnior.
Mais testosterona, menos barriga
Resultados de um estudo do endocrinologista alemão Farid Saad, da área científica do laboratório Bayer na Alemanha, mostram que os homens podem emagrecer e diminuir a circunferência abdominal com a reposição hormonal.
A pesquisa, apresentada durante um encontro da Sociedade de Endocrinologia, nos Estados Unidos, acompanhou por cinco anos 115 homens com baixos índices de testosterona. Com a reposição hormonal, dieta e exercícios, eles perderam, em média, 16kg e a circunferência abdominal reduziu de 107 para 98 centímetros. Outro grupo com 255 homens e idade média de 60 anos colocou os níveis de testosterona em ordem e teve uma melhora no problema da disfunção erétil. Além da perda de peso, em cinco anos eles reduziram 8,8cm na medida de circunferência abdominal.
— É muito difícil comparar todos os estudos, já que são diferentes em muitos aspectos. Mas sabemos que os homens não relacionam o aumento de peso, o tamanho da barriga, a dificuldade em ter ereção e a baixa testosterona. Eles pensam nessas condições como fenômenos independentes. Grandes estudos epidemiológicos têm analisado estas condições juntas — diz o endocrinologista alemão, em entrevista ao GLOBO.
Dados mundiais apontam que cerca de 20% da população masculina têm algum sinal de síndrome metabólica: obesidade, diabetes, pressão alta e colesterol ruim elevado, fatores que também prejudicam a ereção. Isto somado ao tabagismo aumenta ainda mais o risco para doenças coronarianas.
— Cada fator aumenta um pouco o risco. O cigarro eleva em uma vez e meia as chances de doenças coronarianas. O colesterol e a glicemia alterados mais que dobram os riscos — diz Nardozza Júnior.
No Rio, a pesquisa da SBU constatou que 69% dos homens acima de 40 anos não fazem dieta e 52% também não praticam atividade física. Resultado: 47% estão acima ou muito acima do peso ideal. Os principais sinais de envelhecimento apontados pelos entrevistados são pressão alta e cansaço (32% ); perda de libido e de força muscular (26%); perda da força muscular e calvície (16%); obesidade e diabetes (17%). Quanto à vida sexual, 48% dos homens se dizem 100% satisfeitos.
Bom humor e menos cansaço
Uma revisão de tudo o que foi publicado até hoje na literatura médica sobre os efeitos da testosterona na composição corporal, divulgada no periódico “Current Diabetes Reviews”, mostra que os níveis de testosterona em dia contribuem também para a melhora do humor e a redução da fadiga. Mas a reposição hormonal só deve ser feita com indicação e acompanhamento médicos, como exames de controle a cada três meses.
Entre os efeitos colaterais, a reposição pode levar a um aumento de glóbulos vermelhos, além disso, quem ronca por apneia do sono pode ter uma piora no quadro. Daí a importância das consultas e exames de sangue regulares para um eventual ajuste da dose.
— Só recomendamos a reposição quando o indivíduo tem nível inferior a 300ng/dL – nanogramas por decilitro. Hoje, já existe uma dose única, injetável, para três meses. Não é recomendada a reposição para homens que ainda pretendem ter filhos porque inibe a fertilidade. Há jovens que usam o hormônio como anabolizante, o que é um erro — orienta o endocrinologista Farid Saad.



Peso normal, mas barriga saliente, aumenta risco de doença cardiovascular



Pessoas com muito acúmulo de gordura na região da barriga correm um risco até 2,75 vezes maior de morrer por problemas cardiovasculares do que pessoas obesas

Barriga
Gordura acumulada na região do abdome pode significar alto risco cardíaco a pacientes com IMC considerado normal(Thinkstock)
Pessoas com peso considerado normal, mas com acúmulo de gordura na barriga, têm mais riscos de morrer do que pessoas obesas. De acordo com estudo conduzido pela Clínica Mayo, nos Estados Unidos, os riscos de morrer por problemas cardiovasculares são 2,75 vezes mais altos e, por problemas em geral, 2,08 vezes mais elevados, em pessoas com índice de massa corporal (IMC - calcule aqui o seu) normal, mas com acúmulo de peso na região abdominal. O estudo foi apresentado durante o Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia.
"Estudos anteriores já haviam apontado que uma obesidade na região central do corpo é ruim. A novidade da pesquisa é que a distribuição da gordura é muito importante até em pessoas com um peso normal", diz Francisco Lopez-Jimenez, autor sênior do estudo e cardiologista da Clínica Mayo. "Esse grupo de pessoas tem os índices de morte mais altos — mais altos até que aqueles considerados obesos. De uma perspectiva de saúde pública, essa é uma descoberta significativa."
Pesquisa — Participaram 12.785 indivíduos com 18 anos ou mais, analisados no Terceiro Levantamento Nacional de Exame de Saúde e Nutrição, que fornece uma amostra representativa da população dos Estados Unidos. Foram registradas medidas corporais como peso, altura, circunferência da cintura e do quadril, assim como condição socioeconômica e comorbidades (doenças relacionadas). A idade média dos participantes era de 44 anos e 47,4% eram homens. O tempo de acompanhamento médio foi de 14,3 anos.
Os voluntários foram divididos em três categorias de IMC: normal (18,5 – 24,9), sobrepeso (25 – 29,9) e obeso (acima de 30). E em duas categorias de circunferência de cintura-quadril: normal (menor que 0,85 para mulheres e que 0,9 para homens) e alta (maior ou igual a 0,85 para mulheres, e que 0,9 para homens). As análises foram ajustadas por idade, sexo, fumantes, hipertensão, diabetes e IMC. Pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica e com câncer foram excluídas. Foram registradas 2.562 mortes, das quais 1.138 estavam relacionadas com condições cardiovasculares.
Os indivíduos com IMC normal, mas com obesidade central (definida por um índice de circunferência quadril-cintura elevado) tinham os riscos mais elevados de morrer de todas as causas. O risco de morte cardiovascular era 2,75 vezes mais alto e o de morte por todas as causas era 2,08 vezes maior em pessoas com IMC normal, mas com peso central — comparado com pessoas com IMC e circunferência quadril-cintura normais.
"Esse é o primeiro estudo que avalia estimativas nacionais de morte em obesidade central, mesmo na ausência de obesidade por IMC", diz Karine Sahakyan, cardiologista e pesquisadora da Clínica Mayo. "O alto risco de morte pode estar relacionado com um maior acúmulo de gordura visceral nesse grupo, o que está associado com resistência à insulina e outros fatores de risco."
Segundo Lopez-Jimenez, muita gente hoje tem conhecido do seu IMC. "Mas ter, por si só, um IMC normal não assegura que o risco para doença cardíaca é baixo. Como sua gordura está distribuída pelo corpo pode significar muito, e isso pode ser determinado facilmente, mesmo que seu peso esteja considerado dentro da normalidade."

Diabetes pode alterar a testosterona



Getty
O homem adulto, normal, produz hormônio masculino (testosterona) em tipo especial de células nos testículos (células de Leydig). Outras células do testículo são chamada germinativas, pois evoluem para se tornarem espermatozóides (ou gametas masculinos), que irão fecundar o óvulo, possibilitando a formação do embrião. Portanto, nas gônadas (testículos) existem duas “fábricas” diferentes: uma que sintetiza e libera na circulação a testosterona (hormônio masculino) e a outra que é responsável pela fertilidade, representada pelos espermatozóides.
Ambas as “fábricas” são controladas por hormônios que vêm da hipófise: o LH e o FSH. Como estas duas “linhas de produção” são independentes é possível que se tenha um paciente cuja produção de gametas masculinas (espermatozóides) esteja sustada ou prejudicada, mas a “fábrica” de testosterona continue a sintetizar o hormônio masculino sem o menor problema. Neste exemplo o homem teria “falta de esperma” e seria infértil, mas a presença de testosterona normal lhe asseguraria uma vida sexual normal. A falta de hormônio masculino (chamado de hipogonadismo) atrapalha a correta maturação dos gametas masculinos (espermatozóides) e pode comprometer a fertilidade.
A testosterona é transportada na circulação
Após ser sintetizada nos testículos a testosterona é lançada na circulação. Neste ponto existe, no sangue, um “ônibus”, isto é, uma proteína que transporta a testosterona no seu trajeto circulatório até o ponto (ou locais) em que se faz atuar a testosterona. Este “ônibus” chama-se SHBG e carrega a testosterona chamada 'total'. Nos locais em que é necessária ação do hormônio masculino, uma pequena parte é liberada do “ônibus SHBG”. Esta fração de testosterona que emerge do “ônibus SHBG” é chamada de testosterona livre, considerada um importante índice de boa ação hormonal masculina.
A testosterona livre age em nosso cérebro masculino, facultando as qualidades inerentes ao homem (desejo, libido, agressividade, impetuosidade, combatividade, etc). No couro cabeludo a testosterona torna a pele oleosa e estimula secreção sebácea, provocando as clássicas “entradas” no couro cabeludo. A calvície é uma das conseqüências da ação da testosterona no couro cabeludo.
A ação da testosterona livre na área genital, na próstata e em todo o aparelho genital masculino é muito importante. É obvio que o nível de testosterona deve estar normal para que haja um desempenho sexual adequado. O hormônio masculino em dosagem correta e normal resulta em boa atividade sexual. O exagero deste hormônio, no entanto, não implica em melhor desempenho.
A função testicular do diabético
Recentemente um estudo realizado na Austrália focalizou os níveis de testosterona total e livre em pacientes diabéticos. Os pesquisadores estudaram 580 homens com diabetes tipo 2 (não usam insulina, tomam comprimidos, são geralmente obesos) e 69 homens com diabetes tipo 1 (os quais controlam a glicemia com doses diárias de insulina). Notaram que apenas 7% dos diabéticos tipo 1 tinham níveis baixos de testosterona enquanto 43% dos diabéticos tipo 2 exibiam concentrações baixas de testosterona na circulação. As mensurações foram realizadas tanto para testosterona total (aquela que está no “ônibus SHBG”) como para os níveis de testosterona livre. Os níveis de hormônio masculino no grupo de diabéticos tipo 2 eram mais baixos nos mais idosos e, também, menores nos diabéticos mais gordos.
A causa da baixa concentração de testosterona
Os resultados indicados levaram os cientistas australianos a buscar uma explicação de por que pacientes com diabetes tipo 2 têm baixo nível de testosterona. Concluíram que estes pacientes geralmente obesos, com barriga proeminente, muita gordura visceral, e gordura no fígado apresentam o que se denomina resistência à ação da insulina. Trocando em miúdos, a insulina é secretada pelo pâncreas e estimula a entrada da glicose nos tecidos.
Com a presença de gordura abdominal e gordura visceral inicia-se um processo do corpo de recusar a aceitar a ação da insulina, que se eleva na circulação. A insulina elevada atua junto ao testículo com menor síntese da testosterona. Por sua vez a gordura visceral da barriga promove a transformação da testosterona em outros tipos de hormônios, contribuindo para baixar os níveis deste importantíssimo hormônio masculino. Recomendam os australianos que os diabéticos tipo 2 devem fazer exames periódicos para dosar testosterona total e livre. Devem perder peso, deixar o sedentarismo de lado, praticar exercícios aeróbicos e perder a gordura visceral, abdominal. É considerado, igualmente, o tratamento hormonal com testosterona em casos selecionados desde que não haja contra indicações para terapia hormonal.

Excesso de gordura abdominal pode provocar disfunções sexuais e urinárias em homens


Pesquisa mostrou que circunferência da cintura pode prever risco de complicações como disfunção erétil, incontinência urinária e ejaculação precoce.


Tratamento diabetes: pacientes com índice corporal abaixo do considerado obeso são candidatos à cirúrgia
Excesso de peso: quilos a mais podem vir junto com problemas de ordem sexual e urinária (Creatas Images/Thinkstock)
O ganho de peso, especialmente em função da gordura que fica acumulada no abdome, pode não só desencadear doenças cardíacas e problemas metabólicos, mas também aumentar as chances de um homem sofrer disfunções sexuais e urinárias. Estudo realizado pelo Hospital Presbiteriano de Nova York, nos Estados Unidos sugere, pela primeira vez, que emagrecer pode ajudar a evitar complicações como micção frequente e disfunção erétil. De acordo com os resultados, publicados na edição do mês de agosto do periódico British Journal of Urology International (BJUI), reduzir a medida da circunferência abdominal em seis centímetros já melhora de maneira significativa a incidência desses problemas entre o sexo masculino.
A pesquisa se baseou em dados de 409 homens de 40 a 91 anos de idade que haviam apresentado algum sintoma no trato urinário inferior (STUI) — por exemplo, dificuldade em urinar e incontinência urinária, que são problemas comuns entre homens mais velhos. De acordo com os autores, uma maior circunferência abdominal foi associada a um maior número de vezes em que um individuo urina no dia: 39% dos homens com as maiores medidas do abdome urinavam oito vezes em um período de 24 horas e 44% precisavam ir ao banheiro ao menos duas vezes durante a noite. Esses índices foram de 16% e 15%, respectivamente, entre aqueles com as menores circunferências abdominais.
Problemas no sexo — Em relação a complicações de ordem sexual, 75% dos homens do grupo com as maiores medidas do abdome apresentavam disfunção erétil e 65% sofriam problemas de ejaculação precoce. Já entre os participantes com as menores cinturas, essas porcentagens foram de 32% e 21%, respectivamente.
"Os resultados demonstram que a obesidade entre homens afeta o bem-estar deles de maneira profunda", diz Steven Kaplan, coordenador do estudo. De acordo com o pesquisador, não é possível afirmar que a obesidade provoca diretamente problemas de ordem sexual e urinária, mas sim que as alterações hormonais e de fluxo sanguíneo provocadas pelo excesso de peso contribuem para essas complicações. "Essas evidências contribuem para a recomendação de que os homens devem manter um peso saudável para garantir uma boa saúde em geral."

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O novo personal trainer: esbelto, forte e... grisalho



Academias americanas começam a recrutar treinadores mais velhos para seus clientes com mais idade

The New York Times
Quando Ellen Guest decidiu procurar os serviços de um "personal trainer", ela criou uma imagem mental de como seria essa pessoa: "Corpo definido, bronzeado, jovem, bastante sério – e homem", disse Guest, hoje com 65 anos e moradora de San Diego. Em vez disso, ela acabou com Sharon Hill, uma animada loira apenas quatro anos mais nova que Guest. "Fiquei muito contente", disse Guest. "Porque então percebi que não teria de corresponder à ideia de malhação de alguém com 30 anos. Ali estava alguém que podia entender como é ter mais idade."

À medida que mais idosos se dirigem às academias, seja por questões de saúde ou apenas vaidade, muitas vezes quem os recebe é alguém muito similar a eles. Exceto, talvez, por um pouco mais de tonificação. Estudos da IDEA, uma organização mundial de profissionais de fitness, mostram um aumento regular no número de adultos mais velhos escolhendo trabalhar no negócio dos exercícios.

A IDEA também afirma que o número de treinadores e instrutores com mais de 55 anos comparecendo à sua Convenção Mundial de Fitness, em Los Angeles, cresceu de 5%, em 2004, para 12% no ano passado. A tendência é confirmada pelo público de outros eventos da IDEA, incluindo o anual Instituto de Personal Trainers, em Alexandria, na Virginia – onde, no ano passado, 42% dos visitantes tinham entre 45 e 64 anos.

"Sem nenhuma dúvida, estamos vendo pessoas mais velhas entrando na indústria do fitness", diz Kathie Davis, diretora executiva da IDEA. "Hoje as pessoas envelhecem e não estão prontas para se aposentar. Elas querem se manter ativas e envolvidas, e veem os exercícios como uma forma de fazer isso."

E os beneficiários muitas vezes são seus iguais. "Trabalhar com uma pessoa mais velha pode ter algumas vantagens bastante distintas", explica Hank Williford, professor de ciência dos exercícios na Universidade Auburn, em Montgomery. "Alguns jovens provavelmente se interessam pelo treino como um meio de vida, e não uma paixão, enquanto o treinador mais velho possui um interesse além do aspecto monetário."

"Nunca pensei em fazer isto para viver", diz Jules Winkler, de 79 anos, um aposentado de Medford, em Nova York, que se formou como treinador há cinco anos. Winkler, um ex-halterofilista e talentoso maratonista, disse: "Eu só queria fazer outros idosos enxergarem o que o exercício poderia fazer por sua qualidade de vida. Então comecei a ganhar um pouco de dinheiro com isso, e ficou sendo um bônus."

O caminho que levou Sharon Hill a uma carreira pós-aposentadoria como personal trainer na academia Fitness Quest 10, em San Diego, foi um pouco diferente. Hoje com 61 anos, ela tinha uma carreira de 32 anos em vendas, trabalhando para empresas como IBM, DigitalEquipmentCorp. e Xerox. Quando chegou aos 50, diz ela, "Eu estava exaurida".

O estilo de vida sedentário e estressante da gerência corporativa de vendas, em que ela acumulava 100 mil milhas aéreas por ano, estava cobrando seu preço. "Precisava fazer uma mudança", disse ela. "Minhas refeições eram a comida dos aviões. Eu dormia pouco e não me exercitava".

Em outubro de 2001, determinada a se colocar em melhor forma, ela impulsivamente entrou numa academia recém-inaugurada perto de sua casa, na seção de Scripps Ranch, em San Diego.

Hill iniciou um treinamento particular com Todd Durkin, o dono da academia, e se juntou a um grupo de prática de caminhadas e corridas nos finais de semana. Em pouco tempo, ela já fazia coisas que nunca havia sonhado serem possíveis: vencer em sua faixa etária numa corrida local de 5 quilômetros, fazer três barras sem assistência, reduzir seu manequim de 38 para 34.

"Me tornei a pupila de ouro", brincou Hill. "Todd me apresentava aos novos clientes. Era como se ele dissesse: 'Se ela consegue fazer isso com mais de 50, você também pode!'"

Ao mesmo tempo, Hill pensava em se aposentar do exaustivo trabalho com vendas. Mas ela queria continuar trabalhando, ao menos em meio período, e preferivelmente em algo que ela gostasse. "Finalmente perguntei a Todd: 'Você consideraria contratar alguém como eu como treinadora?'"

"Achei que era uma ideia muito interessante", lembrou Durkin. "Com sua experiência corporativa, achei que ela poderia ter a habilidade de se conectar a alguns de nossos clientes melhor do que os treinadores mais jovens."

Com o estímulo de Durkin e de seu marido, Bob, Sharon se matriculou num programa de certificação como personal trainer na Universidade da Califórnia, em San Diego. "Foi difícil voltar a estudar", reconheceu ela. "E eu tinha aulas de anatomia e fisiologia dos exercícios, o que envolvia muita memorização".

Ela completou o programa em 10 meses, passou no exame de certificação do Conselho Americano de Exercícios – uma das maiores instituições de certificação para personal trainers no país – e, no outono de 2002, voltou a Durkin.

A única oportunidade que ele tinha era para treinar um marido e sua esposa, dois ocupados executivos, às 5 da manhã. "Todd não conseguia nenhum treinador que aceitasse trabalhar tão cedo", lembrou Sharon. "Aceitei na hora."

Pelos dois anos seguintes, ela chegou para o trabalho às 5 horas. Logo, o crescente número de clientes mais velhos da Fitness Quest 10 queria treinar com ela.

Hoje, Sharon trabalha apenas dois dias por semana, começando num horário mais civilizado – 8h30 da manhã. A maioria de seus clientes (atualmente 14, com média de idade de 55 anos) treina com ela por 60 minutos uma ou duas vezes por semana, trabalhando em particular ou em sessões semiprivadas com outro cliente. Os clientes pagam em média US$ 70 por hora, que Sharon e a academia dividem meio a meio.

Para ajudar os clientes a desenvolver força e equilíbrio, algo especialmente importante para adultos mais velhos, Sharon usa grandes bolas de estabilidade, bolas medicinais, pranchas de equilíbrio, além dos tradicionais aparelhos de musculação. Mas ela também dedica tempo para explicar aos clientes, que muitas vezes nunca se exercitaram no passado, como seus exercícios fazem parte de um estilo de vida saudável – um estilo que pode ser adotado mesmo com as limitações da idade avançada.

Para essa lição, ela costuma usar a si mesma como exemplo. "Eles se identificam com o fato de que eu comecei tarde", disse. Agora que ela começou, porém, eles não querem que ela pare tão cedo. "Adoro treinar com a Sharon", diz Guest. "Não sei o que vou fazer quando ela se aposentar."

Para emagrecer, reduzir ingestão calórica é melhor que praticar exercícios, diz especialista



Especialista americano Eric Ravussin diz ainda que, quanto menos calorias consumirmos diariamente, mais anos de vida estaremos poupando

Aretha Yarak
Comida saudável
Longevidade e qualidade de vida: manter uma dieta com baixa ingestão calórica é menos agressiva ao organismo(Jupiterimages/ThinkStock)
A população mundial nunca esteve tão gorda: um a cada dez adultos é obeso. Os dados, divulgados em fevereiro pelo periódico científico The Lancet, mostram que, em 2008, 9,8% dos homens e 13,8% das mulheres sofriam de obesidade. Só no Brasil, 46,6% da população está acima do peso. Para driblar a epidemia, o especialista Eric Ravussin diz que não se deve apostar tanto em exercícios físicos. Para o fisiologista chefe da Divisão de Melhoria da Saúde e Performance do Pennington Biomedical Reasearch Center, nos EUA, o fundamental é reduzir a ingestão calórica – que, inclusive, ajuda a viver mais – e com mais qualidade de vida.

Em passagem pelo Brasil para o 14º Congresso Brasileiro de Obesidade e Síndrome Metabólica, que acontece em São Paulo, o fisiologista falou ao site de VEJA sobre as implicações do consumo calórico na longevidade, a epidemia de obesidade que assola o mundo e sobre a relação entre atividade física e emagrecimento. Confira:
Carlos Hansen/Divulgação
Eric Ravussin
Eric Ravussin
Como a restrição calórica pode aumentar a longevidade? O que sabemos é que quando você restringe o consumo calórico, a temperatura do seu corpo diminui. Pesquisas anteriores já haviam mostrado que pessoas com uma menor temperatura corpórea vivem mais, esse é um dos marcadores da longevidade. Com a redução da ingestão de calorias há ainda uma mudança metabólica, principalmente na qualidade das mitocôndrias dos músculos e do fígado. Estando em melhor saúde, essas mitocôndrias não produzem tantas espécies reativas de oxigênio (radicais livres), um produto oxidante. Essa oxidação é prejudicial ao organismo, ela chega ao DNA, aos lipídeos, às proteínas, desgastando o organismo e acelerando o envelhecimento.

Esse aumento de longevidade é significativo?Vamos supor que, com o exercício físico, você aumente em cinco anos a longevidade. Com a restrição calórica, o aumento seria de sete anos. Mas o significativo mesmo não é o aumento na média da sobrevida, mas na idade máxima atingida pelos 10% do grupo que estão na ponta da cadeia, aqueles que conseguem viver mais. Pense em três grupos: o de controle (que não faz restrição calórica, nem exercício físico), os que praticam atividade física e aqueles que fazem restrição calórica. Nos dois primeiros, a pessoa que consegue viver mais chegaria, por exemplo, aos 90 anos de idade. Entre aqueles que fazem a restrição calórica, essa idade máxima seria de 100 anos.

Quanto se deve restringir? Em animais, o máximo que conseguimos foi uma restrição de 45% do consumo diário. Para a dieta humana, esse máximo seria de 30%.

Por que o senhor diz que exercício físico não ajuda a emagrecer? Quanto tempo você leva para queimar 400 calorias? E quanto demora para ingerir essas calorias? Você sente mais fome depois de um exercício físico? Eu acredito que a atividade física é muito boa para manter o peso, mas não acho que, sozinha, ela seja a melhor saída para emagrecer.

Os exercícios físicos aumentam o metabolismo do corpo. Não é o mecanismo inverso da restrição calórica? Mas atividade física também produz mais espécies reativas de oxigênio [o que prejudica a longevidade]. Ainda assim, o exercício ajuda a pessoa a viver mais. Isso acontece porque, ao mesmo tempo em que produz essas espécies, o organismo monta uma defesa ao estimular enzimas que são antioxidantes. O resultado final acaba sendo positivo ao corpo.

O índice metabólico (velocidade com que o corpo processa substâncias) é genético?Acredito que sim, ele é altamente determinado pela genética.

O índice metabólico é o responsável por algumas pessoas serem magras e outras obesas? Também. O que tem a determinação mais forte da genética é a altura da pessoa. Em seguida, acredita-se que venha a obesidade. Isso pode ser visto em pesquisas com irmãos gêmeos que foram separados por adoção. Apesar de viverem em ambientes distintos, eles continuam se parecendo fisicamente, em relação ao peso, por exemplo. Não temos ainda o conhecimento de um gene específico para a obesidade e para o diabetes que comprove, de fato, a tese. Mas, ainda assim, acredito que existe uma influência muito forte da genética.

Alguém que nasceu para estar acima do peso, estará sempre acima do peso? Existem dois pontos importantes no emagrecimento: ambiente e hábito alimentar. Em grupos indígenas da mesma etnia que vivem em lugares distantes, por exemplo, existem os com problemas de diabetes e os saudáveis. Isso porque em um a comida é abundante, enquanto no outro há escassez. É a influência do ambiente. Mas, além disso, se você é um comedor restrito, que pensa sobre o que come, ou uma pessoa que queira se exercitar e se force a isso, você vai permanecer magro.

Qual a melhor dieta? Para perder peso, o que realmente importa são as calorias. Dietas como a Atkins, por exemplo, funcionam porque elas são mais fáceis de fazer. Quando você restringe as calorias consumidas, pode-se passar fome e isso pode ser um problema. O comportamento, o hábito alimentar, é a coisa mais difícil de mudar, mas é o que garante uma perda de peso saudável e permanente.

Existe uma fórmula para controlar a epidemia de obesidade? Acredito que sim: políticas de saúde. Na Holanda e na Dinamarca, as gorduras trans foram banidas do dia para a noite, porque eles sabiam que elas eram prejudiciais à saúde. Nos Estados Unidos isso é algo difícil de fazer. Grandes indústrias alimentícias, como a Coca-Cola, por exemplo, fazem lobbies constantes e prejudicam o processo. Mas, felizmente, alguns passos já estão sendo tomados. Em Nova York, as calorias precisam agora vir no cardápio ao lado do prato. Se isso vai mudar algo, não sei. Mas acredito que a saída para contornar a obesidade está na política pública e na educação.

Comer peixe toda semana ajuda a evitar o Alzheimer



Consumo regular da carne está associado à proteção da saúde da massa cinzenta do cérebro, responsável pela cognição

Doenças degenerativas: com a morte dos neurônios, o cérebro entra em um processo que dá origem a doenças como Alzheimer e Parkinson
Doenças degenerativas: com a morte dos neurônios, o cérebro entra em um processo que dá origem a doenças como o Alzheimer (Creatas Images/Thinkstock)
Pessoas que comem peixe cozido ou grelhado semanalmente apresentam redução nos riscos de desenvolvimento do transtorno cognitivo leve (TCL) ou mesmo o Alzheimer. As conclusões são de um estudo apresentado nesta quarta-feira durante o encontro anual da Sociedade Americana de Radiologia.

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Massa cinzenta
Região do cérebro que possui o corpo das células nervosas. Inclui regiões do cérebro envolvidas no controle muscular, memória, emoções, fala e percepção sensorial, tais como ver e ouvir.
“Esse é o primeiro estudo a estabelecer uma relação direta entre o consumo de peixe, a estrutura cerebral e os riscos de Alzheimer”, diz Cyrus Raji, da Universidade de Pittsburgh. “Os resultados mostraram que pessoas que consomem peixe cozido ou grelhado ao menos uma vez na semana tinham uma melhor preservação da matéria cinzenta do cérebro. Isso foi visto em exames de ressonância magnética em áreas consideradas de risco para o Alzheimer.”
O Alzheimer é uma doença cerebral incurável e progressiva, que lentamente destrói a memória e as habilidades cognitivas. Em pessoas com transtorno cognitivo leve, a perda de memória também está presente, mas em uma menor extensão. Pacientes com a doença, frequentemente desenvolvem Alzheimer, sendo o TCL considerado um estágio intermediário entre o envelhecimento normal e a demência.
Dados – Para o estudo, foram selecionados 260 indivíduos cognitivamente normais. Informações sobre o consumo de peixe foram coletadas usando o Questionário Sobre Frequência Alimentar, do Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos. Do total, 163 pacientes consumiam peixe semanalmente, a maioria apenas uma ou duas vezes por semana. Todos fizeram ressonância magnética no cérebro para que os pesquisadores pudessem avaliar o volume da massa cinzenta com o consumo de peixe semanal em 10 anos.
Os resultados foram então analisados para determinar se a preservação da massa cinzenta associada com o consumo de peixe reduzia os riscos para o Alzheimer. Foram controlados idade, gênero, escolaridade, raça, obesidade, atividade física e a presença ou não de apolipoproteína E4 (ApoE4) – gene que aumenta os riscos de desenvolvimento da doença.
O volume da massa cinzenta é crucial para a saúde do cérebro. Quando seu nível permanece elevado é um sinal de que a saúde do órgão está sendo mantida. Mas a redução de volume indica que as células cerebrais estão se encolhendo.
Os resultados mostraram que o consumo de peixe cozido ou grelhado toda semana estava positivamente associado com os maiores volumes de massa cinzenta em diversas áreas do cérebro. Os riscos para o desenvolvimento de TCL e Alzheimer em cinco anos foram reduzidos em quase cinco vezes. “O peixe cozido ou grelhado faz os neurônios mais fortes, tornando-os maiores e mais saudáveis”, diz Raji.

Conselho Federal de Medicina condena terapia antienvelhecimento.



Para os médicos do CFM, não há evidências científicas dos benefícios do tratamento

idoso
Segundo o conselho, a redução na produção de alguns hormônios não pode ser considerada causa do envelhecimento(Thinkstock)
Nesta segunda-feira, um parecer do Conselho Federal de Medicina (CFM) condenou as terapias antienvelhecimento. Os tratamentos questionados são baseados na prescrição de hormônios e outras substâncias como antioxidantes e vitaminas para retardar ou combater o envelhecimento dos pacientes.
O parecer informa que não há evidências científicas que justifiquem a prática, que pode inclusive fazer mal à saúde de quem recebe o tratamento. O documento serve de alerta pacientes e médicos sobre os riscos do tratamento e abre espaço para punições a profissionais de saúde que aplicarem terapias antienvelhecimento.
Os autores da avaliação afirmam que o envelhecimento é uma fase normal do ciclo da vida, e não deve ser tratado como doença. Nessa fase, é comum os níveis de alguns hormônios caírem, sem que isso possa ser considerado causa do envelhecimento.
O CFM alerta que diversos órgãos de regulação, tanto nacionais quanto internacionais, se posicionam contra a manipulação hormonal em indivíduos saudáveis. “Prescrever hormônio do crescimento para 'rejuvenescer' um adulto que não tem deficiência desse hormônio é submetê-lo ao risco de desenvolver diabetes e até neoplasias”, diz Gerson Zafallon Martins, Coordenador da Câmara Técnica de Geriatria do CFM.
De acordo com o parecer, a especialidade médica antienvelhecimento não é reconhecida na União Europeia e nos Estados Unidos. A diretoria do CFM confirmou que o documento servirá de base para uma resolução que proibirá o uso de hormônios e práticas de antienvelhecimento no Brasil.

Nos últimos quatro anos, a entidade cassou o registro profissional de cinco médicos que praticavam os procedimentos sem comprovação científica. Outras dez punições também foram aplicadas a outros médicos. 

Falta de ômega-3 pode antecipar problemas de envelhecimento cerebral.



Pessoas que possuem menos níveis do nutriente no sangue sofrem antes com deficiência de memória e raciocínio

Ômega 3: dieta deficiente pode ter relação com comportamentos depressivos
Ômega 3: estudo conclui que a baixa ingestão do nutriente leva mais cedo ao envelhecimento cerebral (Ablestock.com/ Thinkstock)
Um estudo publicado nesta terça-feira no periódico Neurology sugere que pessoas que seguem uma dieta deficiente em de ômega-3, nutriente comumente encontrado em peixes, linhaça, castanha e azeite, podem sofrer antecipadamente com o processo natural de envelhecimento do cérebro. Elas, segundo pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, são acometidas mais cedo por problemas como a perda de memória e o declínio de habilidades cognitivas.

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COGNIÇÃO
Conjunto de processos mentais usados no pensamento, na percepção, na classificação, no reconhecimento, na memória, no juízo, na imaginação e na linguagem. O envelhecimento provoca naturalmente problemas cognitivos, que podem avançar para quadros mais graves, como o comprometimento cognitivo leve, que é a diminuição da função mental e comprometimento da memória, do pensamento, da capacidade para aprender e do juízo, e para demências como a doença de Alzheimer.
Para chegar a tais resultados, foram analisados 1.575 homens e mulheres entre 67 e 76 anos que não apresentavam nenhum sinal de demência. Os participantes fizeram ressonância magnética no cérebro, além de testes que mediram a função mental, a massa corporal e os níveis de ômega-3 nas células do sangue.
Ao final dos testes, o grupo de pessoas que apresentou os menores índices de ômega-3 tinha 25% menos quantidade do nutriente no sangue do que o grupo que demonstrou maior presença do ácido graxo. Esses indivíduos com menos ômega-3 no sangue demonstraram menor volume cerebral nas ressonâncias magnética e resultados inferiores dos testes de memória visual e função executiva do cérebro, como resolução de problemas e capacidade de pensar em várias coisas ao mesmo tempo.
“O volume cerebral das pessoas que consumiam menos ômega-3 era inferior ao daquelas que tinham mais níveis do nutriente nas células, mesmo em indivíduos livres de demência. E essa diferença no cérebro foi equivalente a um processo de envelhecimento cerebral dois anos mais avançado”, afirma o coordenador do estudo, Zaldyn Tan.

Usar computador faz bem à saúde mental dos idosos.



Estudo mostrou que, em um período de oito anos, homens que tinham o hábito apresentaram menor risco de serem diagnosticados com demência

Idosos: Computador pode ser aliado para manter boa saúde mental
Idosos: Computador pode ser aliado para manter boa saúde mental (Thinkstock)
Utilizar o computador pode ajudar os idosos a reduzir a perda de memória e a diminuição da capacidade de raciocínio e de aprendizado que ocorrem naturalmente com a idade. Em um estudo publicado na edição desta semana do periódico PLoS One, os especialistas concluíram que homens mais velhos que têm esse hábito apresentam menor risco de desenvolverdemência em um período de oito anos.

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COGNIÇÃO
Conjunto de processos mentais usados no pensamento, na percepção, na classificação, no reconhecimento, na memória, no juízo, na imaginação e na linguagem. O comprometimento cognitivo é uma das características mais importantes da demência, como na doença de Alzheimer
DEMÊNCIA
A demência é causada por uma variedade de doenças no cérebro que afetam a memória, o pensamento, o comportamento e a habilidade de realizar atividades cotidianas. O Alzheimer é a causa mais comum de demência e corresponde a cerca de 70% dos casos. Os sintomas mais comuns são: perda de memória, confusão, irritabilidade e agressividade, alterações de humor e falhas de linguagem.
De acordo com o autor do estudo, o brasileiro Osvaldo Almeida, professor da Escola de Psiquiatria e Neurociência Clínica e diretor de pesquisa do Centro de Saúde e Envelhecimento da Universidade de Western Australia, em Perth, trabalhos anteriores já haviam indicado que atividades que estimulam a mente, como leitura e palavras cruzadas, por exemplo, diminuem o risco de demência, mas havia poucas evidências sobre os reais efeitos do uso prolongado dos computadores. Essas conclusões fazem parte de uma série de pesquisas que vêm sendo feitas desde 1996 na universidade, a partir dos dados de 19.000 homens.
O estudo selecionou 5.506 desses participantes com idades entre 65 e 86 anos, que foram acompanhados ao longo de oito anos. Os resultados dessa pesquisa indicaram que os homens que utilizavam frequentemente o computador, em comparação com aqueles que nunca o faziam, apresentaram um risco até 40% menor de serem diagnosticados com demência no período em que o estudo foi realizado.  
"Com o envelhecimento da população mundial, o número de pessoas com declínio cognitivo deve aumentar para 50 milhões até 2025", afirma Almeida. "Porém, se as nossas estatísticas estiverem corretas, o aumento do número dos casos de demência nos próximos 40 anos não será tão dramático quanto o atual." Para o pesquisador, esses resultados devem incentivar os homens mais velhos a adotarem o uso do computador no dia-a-dia, mas sem se esquecerem dos prejuízos à saúde de períodos prolongados de sedentarismo e das vantagens de exercitar-se.

"Os computadores ajudam a preservar os laços familiares e sociais"

Osvaldo Almeida
professor da Escola de Psiquiatria e Neurociência Clínica e diretor de pesquisa do Centro de Saúde e Envelhecimento da Universidade de Western Australia, em Perth

Que tipo de programas os idosos estudados utilizaram?
As atividades desenvolvidas pelos idosos, acompanhados pelo nosso estudo por até 10 anos em alguns casos, consistiram, em sua maioria, em navegar na internet e mandar emails. Não usamos programas voltados para o aperfeiçoamento da memória — na verdade avaliamos o uso cotidiano e a comunicação com familiares. Aliás, estudos anteriores nos quais os idosos usavam programas para melhorar a memória mostraram ter efeitos negativos.
Como os computadores podem melhorar a saúde mental dos idosos?
Não podemos ter certeza, mas supomos que os computadores ajudam a preservar os laços familiares e sociais (pelo uso, por exemplo, de programas como Skype e similares). Eles também facilitam a estimulação cognitiva diária por meio da leitura de notícias, fatos históricos, gerenciamento das finanças, e atividades do gênero. Quando os computadores são utilizados dessa forma "sistêmica" eles podem se tornar uma fonte robusta de estimulação cognitiva que ajuda a realçar a reserva cognitiva e, consequentemente, retardar problemas de memória ou em outros processos mentais. 

Cientistas decifram forma de ‘rejuvenescer’ músculos de pessoas mais velhas.


Novo estudo mostrou que inibir uma determinada proteína pode garantir o estoque de células-tronco responsáveis pela regeneração dos músculos

Envelhecimento: Pesquisa dá primeiro passo para tornar novamente jovens músculos de idosos
Envelhecimento: Pesquisa dá primeiro passo para tornar novamente jovens músculos de idosos (Thinkstock)
Uma equipe internacional de pesquisadores descobriu um mecanismo potencialmente capaz de interromper o processo de perda muscular que ocorre com o envelhecimento. Em um estudo feito com camundongos, os cientistas concluíram que inibir uma proteína que estimula a divisão celular — muitas vezes quando o processo não é necessário — aumenta o estoque de células-tronco no tecido muscular. Assim, o idoso não encontraria dificuldades quando precisasse regenerar ou fortalecer algum músculo.
Regeneração muscular — O trabalho, publicado nesta quarta-feira na revista Nature, foi desenvolvido na universidade de pesquisas King's College London, na Grã-Bretanha, da Universidade de Harvard e do Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos. Segundo os cientistas, cada músculo contém uma reserva de células-tronco dormentes, que são ativadas com a prática de exercícios físicos ou para reparar alguma lesão — e, para que essa reparação ocorra, essas células se dividem em centenas de novas fibras musculares.
Ao olharem para os músculos de camundongos mais velhos, os pesquisadores descobriram que esses animais, em comparação com os mais jovens, têm menos células-tronco adormecidas no tecido muscular. Isso, de acordo com os autores, pode explicar o fato de idosos terem mais dificuldades de regenerar seus músculos.
Os cientistas também descobriram que, quanto mais velhos eram os animais, maiores os seus níveis de uma proteína chamada FGF2, que é responsável por estimular a divisão celular. Ou seja, para a equipe, embora a divisão de células-tronco seja um processo normal e essencial para reparar os músculos, a presença da proteína também pode ativar essas células em momentos em que isso não é necessário — esgotando, assim, o estoque de células-tronco dormentes nos músculos ao longo dos anos.
Interrupção do processo — A partir dessas descobertas, os pesquisadores tentaram inibir a ação da proteína FGF2 no tecido muscular dos animais mais velhos para que as células-tronco não fossem ativadas desnecessariamente. Para isso, deram aos camundongos uma droga que já existe com essa finalidade. Os cientistas observaram que o medicamento foi capaz de inibir o declínio do número de células-tronco no músculo dos animais.
Embora os achados desse estudo sejam inovadores, prevenir ou reverter a perda muscular em humanos ainda é “algo distante”, segundo os autores. "A descoberta abre a possibilidade de que um dia possamos desenvolver tratamentos para tornar jovens os músculos velhos. Se pudéssemos fazer isso, poderíamos permitir que as pessoas vivessem mais e com maior mobilidade”, afirma Albert Basson, um dos responsáveis pela pesquisa. Para Kieran Jones, outro autor do estudo, como ainda não se sabe o motivo pelo qual os níveis da proteína FGF2 aumentam com o envelhecimento, mais pesquisas devem ser feitas, inclusive em seres humanos, para que as descobertas resultem em tratamentos clínicos.

Gordura trans pode estar associada a comportamento agressivo e impaciência.



Pesquisa identificou que aqueles que mais consomem a gordura são os que apresentam maiores chances de terem alterações comportamentais

Fast food
Gordura trans: consumo a gordura pode levar a um comportamento agressivo, diz estudo (Comstock/Thinkstock)
Muito além da obesidade e dos riscos de problemas cardiovasculares, um novo estudo da Faculdade de Medicina de San Diego da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, associou o consumo de gordura trans com maior impaciência e comportamento agressivo. Segundo a pesquisa, publicada na edição deste mês no periódico PLoS ONE, essas reações adversas podem ser apresentadas tanto por homens quanto por mulheres e de todas as idades.

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GORDURA TRANS
É uma gordura obtida a partir de um processo químico chamado hidrogenação. Por vir de óleos vegetais, era considerada uma opção saudável na alimentação, mas estudos que começaram a ser feitos a partir dos anos 80 mostraram que a gordura é extremamente prejudicial à saúde das pessoas. Ela aumenta o LDL (colesterol ruim) e diminui o HDL (colesterol bom) e, por isso, pode acarretar diversas doenças. Está presente em frituras, em todos os alimentos que levam margarina na preparação, além de fast food, bolachas e pipocas de microondas. Carne e leite possuem quantidades mínimas de gordura trans. Acredita-se que o organismo não sintetiza essa gordura, então ela se acumula no corpo. Não há uma recomendação mínima essencial dessa gordura. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a gordura trans não passe de 1% das calorias totais consumidas em um dia por uma pessoa.
Essa é a primeira vez em que um levantamento relaciona o consumo de gordura trans com alterações no comportamento de um indivíduo. Essa gordura é produzida industrialmente a partir da hidrogenação, um processo químico, e pode ser encontrada em alimentos como bolachas, pipoca de micro-ondas, chocolate, sorvete, pastel e tudo o que utiliza margarina nas receitas.
A pesquisa — Os autores do estudo avaliaram 945 adultos com base em informações como hábitos alimentares, comportamento, histórico e autoavaliação de agressão, impaciência ou irritabilidade, entre outras características comportamentais.
Os resultados indicaram que as pessoas que mais consumiam gordura trans tinham uma forte tendência a apresentar comportamento agressivo e impaciência no futuro em comparação com aquelas que não ingeriam tanta gordura no seu dia-a-dia. Elas também tinham históricos com mais casos de comportamentos como esses. Essa associação não se alterou com sexo, idade e etnia dos participantes.
“Se esses dados se mostrarem verdadeiros, há mais lógica ainda para que as pessoas diminuam a quantidade de gordura trans que comem todos os dias. Essa redução é essencial principalmente na alimentação das escolas e dos presídios, já que esse alimento se mostrou prejudicial tanto para quem o consome quanto para as pessoas que estão ao seu redor”, afirma Beatrice Golomb, uma das autoras do estudo.

Na quantidade adequada, frutose não faz mal e pode melhorar a saúde.



Conclusão de estudo canadense mostra que o açúcar é maléfico somente em quantidades excessivas e aliado a uma dieta calórica

Abusar do consumo de produtos ricos em frutose, como o xarope de milho enriquecido, pode causar danos ao coração
Frutose, encontrada em produtos como xarope de milho enriquecido e mel, pode até fazer bem à saúde (Thinkstock)
Após revisar quase 20 pesquisas sobre os efeitos da frutose, o açúcar obtido de frutas, mel e alguns cereais, pesquisadores canadenses concluíram que, na quantidade certa, ela não faz mal à saúde e ainda pode beneficiar o organismo. O estudo, que será publicado na edição do mês de julho do periódico Diabetes Care, foi conduzido no Hospital St. Michael, em Toronto, no Canadá.

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FRUTOSE
Açúcar obtido de frutas, mel, de alguns cereais e vegetais e do xarope de milho. A frutose é metabolizada diretamente no fígado, não precisando de insulina para sua quebra primária. Por ter um gosto mais doce, vem sendo usada como adoçante em alimentos industrializados. Seu consumo excessivo pode sobrecarregar o fígado, levando ao acúmulo de gordura no órgão e à hepatite não-alcoólica.
“Na última década, algumas pesquisas sugeriram uma relação entre a frutose e a incidência de obesidade. Porém, esses estudos só encontraram tal associação com o consumo excessivo do açúcar”, diz John Sievenpiper, coordenador do trabalho. A equipe do pesquisador analisou 18 estudos sobre frutose que envolveram, ao todo, 209 participantes que tinham diabetes tipo 1 ou tipo 2.
As conclusões indicaram que a frutose, se não consumida em excesso, pode melhorar significativamente o controle das taxas de açúcar no sangue, beneficiando o organismo da mesma forma que algumas substâncias orais usadas para tratar diabetes o fazem. Além disso, de acordo com a pesquisa, essa melhoria pode ser obtida sem efeitos adversos, como aumento do peso corporal, da pressão arterial ou do colesterol.
“Estamos observando que a frutose pode ter efeito protetor no organismo quando não consumida em quantidades exageradas. Entendemos que os efeitos negativos associados à frutose, na verdade, estão relacionados com uma dieta calórica, e não com o açúcar em si”, diz Adrian Cozma, outro autor do estudo.